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100 anos depois, racismo persiste. Julgamento de caso Celsinho envergonha o Brasil. Feliz Dia da “Consciência Negra” – Prisma

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São Paulo, Brasil

Pelé, Garrincha, Neymar, Didi, Leônidas, Friedenreich, Zizinho, Coutinho, Djalma Santos, Ronaldinho Gaúcho, Coutinho.

Todos estariam proibidos de jogar na Seleção Brasileira, em 1921.

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Há cem anos, o presidente Epitácio Pessoa ordenou ao então presidente do Conselho Nacional de Desportos, José Eduardo de Macedo Soares.

Para preservar a imagem do Brasil no Exterior, a seleção de futebol deveria ter só jogadores brancos. Epitácio Pessoa havia ficado irritado porque jornais argentinos, que retratavam o selecionado brasileiro de 1920, repleto de negros, como macacos.

A raiva do presidente não foi com os preconceituosos órgãos de imprensa argentinos, mas com o fato de o Brasil ter negros na sua seleção.

A ordem foi atendida. 

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Naquela época, muitos jogadores negros, para esconder sua cor, passavam pó de arroz nos seus rostos, braços e pernas. Na maioria das vezes para burlar dirigentes dos clubes que defendiam, extremamente racistas.

Situação revoltante.

Não por acaso, o Brasil foi o último país a acabar com a escravidão.

Cem anos depois, neste 20 de novembro de 2021, no Dia da Consciência Negra, o futebol brasileiro segue dando exemplo de tolerância absurda ao preconceito racial.

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O jogador Celsinho do Londrina é negro e usa cabelo grande, black power.

O que bastou para ser vítima de preconceito.

Em julho, no empate em 0 a 0, entre Goiás e Londrina, pela Série B, o narrador Romes Gomes e o comentarista Vinícius Lima, da rádio Bandeirantes Goiânia, travaram esse diálogo no ar, para milhares de pessoas ouvirem.

“Celsinho sentiu, tomou uma pancada no tornozelo esquerdo, está levantando mas o cabelo dele deve pesar demais, né Vinícius?”, ironizou Gomes

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“Exatamente, rapaz, parece mais um bandeira de feijão, né Romes, a cabeça dele do que um verdadeiro cabelo. Não é porque eu já estou perdendo os cabelos que eu vou achar um negócio imundo desses bonito. Parece mesmo uma bandeira de feijão”, detalhou o comentarista.

Ambos foram suspensos da rádio. E imploraram desculpas nas redes sociais.

De forma inacreditável, mostrando que o racismo não é punido com o rigor que merece neste país, cinco dias depois, Celsinho foi outra vez humilhado em uma transmissão. Desta vez, o narrador Cláudio Gomes, da rádio Clube do Pará, decidiu também fazer piada com o cabelo do jogador negro.

Ao ver Celsinho correr para cobrar uma cobrança de falta, ele deixou escapar a frase racista.

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“Celsinho vai com seu cabelo meio ninho de cupim bater falta.”

Mesma situação. 

Depois, arrependido, foi para as redes sociais pedir desculpas.

E a vida seguiu.

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Até que o Londrina foi enfrentar o Brusque.

No noite de 28 de agosto, em Santa Catarina, o jogador ouviu a seguinte frase nas arquibancadas, ainda quase vazias, pela pandemia.

“Vai cortar esse cabelo, seu cachopa de abelha.”

Júlio Antônio Petermann, presidente do Conselho Deliberativo do Brusque, comparou o cabelo do jogador negro a um casulo de abelha. Na transmissão da partida é possível ouvir o grito de ‘macaco’ dirigido a ele, também vindo da arquibancada, de outra pessoa não identificada.

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A partida acabou 0 a 0.

No dia 24 de setembro, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) julgou o caso. Decidiu suspender Petermann por 360 dias de jogos de futebol, multar o Brusque em R$ 30 mil. 

E o principal: tirar três pontos do clube catarinense.

Sentença exemplar. Servindo para coibir o racismo no Brasil.

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Mas acontece que o Brusque recorreu. 

E há dois dias, o plenário do STJD decidiu devolver os três pontos para o Brusque.

Transformar a retirada dos pontos em uma partida sem torcida, a ser cumprida só em 2022.

Maurício Neves Fonseca (relator) e Paulo Sérgio Feuz votaram pela perda dos pontos.

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Felipe Bevilacqua, Mauro Marcelo, Luiz Felipe Bulus, Ivo Amaral e Sérgio Martinez votaram pela devolução dos pontos.

Três pontos que podem salvar o clube catarinense do rebaixamento.

E fazer justamente o Londrina ir para a Segunda Divisão.

Não foi uma vitória do Brusque.

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Foi enorme derrota da luta contra o racismo no futebol brasileiro.

Porque a jurisprudência está aberta.

Ou seja, se algum membro oficial de um clube ofender um jogador por sua raça pode ficar tranquilo. Porque seu clube não irá perder pontos.

Não com a justiça esportiva brasileira.

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100 anos depois, o país segue tolerante com o racismo.

É uma situação constrangedora.

Negros e pardos foram 54% da população brasileira.

Só 17%, de acordo com levantamento do IBGE, em 2015, fazem parte da parte rica do país.

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Nos dois julgamentos do Brusque, no STJD, não havia sequer um auditor negro.

Feliz feriado a todos.

Dia 20 de novembro, dia da Consciência Negra no Brasil…

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Fonte: R7

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