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A voz preta no esporte

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“Numa sociedade racista, não basta não ser racista, é necessário ser antirracista”, disse a filósofa americana Ângela Davis, um dos maiores nomes da história da luta antirracista. O Dia da Consciência Negra é mais do que importante para exaltar a luta e história do povo preto, mas ainda assim, é impossível ir contra os números e esconder como o racismo ainda está enraizado na sociedade como algo comum no cotidiano. E não é diferente no esporte. 

Segundo o Relatório da Discriminação Racial do Futebol de 2020, mesmo com a ausência de público nos estádios em decorrência da pandemia, foram contabilizados 68 casos de racismo em todos os esportes. Ainda que seja uma queda considerável em relação aos 136, contabilizados em 2019, os números são incontestáveis. 

Desses dados, 28 foram os atletas vítimas do racismo. Além disso, foram cinco torcedores, dois funcionários de clubes e um comentarista. Esses foram os que entraram para a estatística devido à denúncias… Ainda existem os que, infelizmente, preferiram se calar. 

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Somente essa semana, às vésperas do dia 20, dois casos de racismo vieram à tona. Na última terça-feira (16), durante a partida entre Corinthians e Nacional do Uruguai pelas semifinais da Libertadores Feminina, a jogadora Adriana foi uma das vítimas do preconceito, quando uma das adversárias a chamou de “macaca”. O ocorrido gerou discussão e protestos de suas companheiras dentro e fora de campo. 

Corinthians Futebol Feminino (Foto: Reprodução/Conmebol)

O outro caso ganhou seu veredito também essa semana, na quinta-feira (18). O crime acontece em agosto, numa partida pela Série B do Campeonato Brasileiro entre Londrina e Brusque, e a vítima foi o jogador Celsinho. O jogador relatou que o conselheiro do Brusque, Júlio Antonio Petermann o ofendeu, chamando de “macaco”. A pena determinada pelo STJD seria a perda de três pontos no campeonato e multa de R$ 60 mil, porém, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva aceitou o recurso apresentado pela defesa do clube e devolveu os pontos ao Brusque, mantendo apenas a multa. 

Celsinho pelo Londrina (Foto: Divulgação/Londrina)

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Ambos os casos geraram mobilização e indignação na Internet e, como o esperado, muitos atletas negros se posicionaram sobre o assunto, o que acontece constantemente no mundo esportivo. A voz preta sempre foi evidente no esporte, já que muitos atletas e clubes usam seu espaço para levar à frente os ensinamentos e protestos na luta antirracista. 

Um dos maiores exemplos, atualmente, é Lewis Hamilton, considerado um dos maiores nomes da história da Fórmula 1 e primeiro negro a disputar as corridas. Hamilton sempre utilizou seu espaço no pódio para promover a causa antirracista, principalmente após o trágico assassinato de George Floyd, nos Estados Unidos. Desde então, Hamilton utiliza suas ferramentas para protestar e auxiliar na causa, abrindo espaço para profissionais negros de todas as áreas através de sua instituição, a Mission 44. 

Lewis Hamilton. (Foto: Reprodução/Getty Images)

Ainda sobre os protestos pela morte de George Floyd, os jogadores de diversos clubes da NBA utilizaram seu espaço evidente e influente para protestar, ajoelhando-se no início das partidas, boicotando marcas e jogos e deixando claro a importância do voto nas eleições presidenciais dos Estados Unidos.

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Protestos na NBA (Foto: Reprodução/AFP)

Nas Olimpíadas de Tokyo deste ano, Rebeca Andrade foi a brasileira que se destacou ao conquistar duas medalhas: Ouro no salto e prata no individual geral. Além de conquistar as duas medalhas, Rebeca se consolidou como influência para ginastas negras, que sonham em conquistar seu espaço num esporte tão elitizado. “Uma menina negra, disera que pessoas negras não poderiam fazer alguns esportes”, disse a ex-ginasta Daiane dos Santos, sobre a vitória de Rebeca.

Rebeca Andrade (Foto: Reprodução/Twitter)

Em 2019, os dois únicos técnicos negros, Marcão e Roger Machado falaram sobre o assunto e aderiram a campanha do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, usando uma camisa com a frase “chega de preconceito” na partida entre Fluminense e Bahia. Em entrevista, Roger Machado falou sobre a importância de estarmos sempre denunciando o racismo. “Negar e silenciar é confirmar o racismo”, disse o treinador. Essa semana, Roger Machado publicou um artigo no site Players Tribune, com o título “A história dos pretos que os brancos não contam”.

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Marcão e Roger Machado (Foto: Reprodução/Bahia)

A lista de conquistas negras é extensa. Daiane dos Santos, Pelé, Formiga, Muhammad Ali, Usain Bolt, Simone Biles, Michael Jordan, LeBron James são alguns dos nomes que foram contra as estatísticas e conquistaram seu local de direito: O pódio. E utilizaram do pódio para lembrar a tantos negros que tudo é possível, que o sonho é real e que o grande teor de melanina é sinônimo de força. 

Se ajoelhar, gritar e protestar são atos que mudará o futuro de muitas crianças negras que vêem esperança em atletas que mostram que todos podem conquistar o pódio. E que utilizem cada vez mais desse espaço para lembrar o mais importante: Vidas negras importam!

Foto destaque: Lewis Hamilton (Mercedes), Marcelo (Inma Flores), Rashford (Getty Images), Grazi (Norberto Duarte)

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Fonte: R7

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